
A MAJESTOSA CATEDRAL DE NOSSA SENHORA DA PIEDADE: UM SÍMBOLO DE FÉ E HISTÓRIA EM CAJAZEIRAS
Um Ícone da Fé Sertaneja
A Catedral de Nossa Senhora da Piedade é um dos mais imponentes símbolos religiosos e históricos de Cajazeiras, além de ser o principal cartão-postal da cidade. Com seus 52 metros de altura, a catedral se ergue como uma expressão sublime da devoção do povo cajazeirense, tornando-se referência espiritual e arquitetônica na região. Sua construção, marcada por desafios e décadas de dedicação, atravessou períodos distintos até se consolidar como o templo majestoso que hoje encanta fiéis e visitantes.
Dos Primeiros Passos à Grande Catedral
A história da catedral tem suas raízes na pequena Casa de Oração idealizada por Ana Francisca de Albuquerque (Mãe Aninha) em 1836. O local, que daria origem à Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima, foi erguido com grande esforço e fé inabalável. Mãe Aninha liderou um grupo de mulheres na confecção dos tijolos e sacrificou parte de seus bens para viabilizar a obra.
Inicialmente modesta, com uma única porta e paredes rudimentares, a igreja abrigava uma imagem de Nossa Senhora da Piedade, venerada até 1855. Posteriormente, essa imagem foi substituída por Nossa Senhora das Dores, possivelmente pelo Padre José Tomás de Albuquerque, marcando a transição para uma nova fase da fé cajazeirense.
A Evolução do Templo e a Criação da Diocese
A transformação da igreja em catedral está diretamente ligada à criação da Diocese de Cajazeiras, em 6 de fevereiro de 1914, por decisão do Papa Pio X. Esse momento elevou a então Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade a uma nova condição espiritual e administrativa. O primeiro bispo diocesano, Dom Moisés Coelho, teve um papel crucial na consolidação dessa nova etapa.
A necessidade de um templo mais amplo e representativo levou à idealização de um novo edifício. Assim, em 31 de janeiro de 1937, iniciou-se a construção da atual Catedral de Nossa Senhora da Piedade, sob a orientação de Dom João da Matha de Andrade Amaral, que mais tarde assumiria o bispado de Manaus-AM.
Décadas de Construção e Um Novo Marco Religioso
As obras da catedral estenderam-se por vinte anos, enfrentando desafios financeiros e estruturais. Apenas em 20 de janeiro de 1957, o templo foi inaugurado oficialmente, ainda sem estar totalmente concluído. Os trabalhos de finalização seguiram até 1959, consolidando a edificação como um dos mais belos templos do interior nordestino.
A entronização da imagem de Nossa Senhora da Piedade na nova igreja foi conduzida por Dom Zacarias Rolim de Moura, bispo que permaneceu à frente da Diocese de Cajazeiras por um período recorde até 1990. Sua liderança foi essencial para a consolidação da identidade religiosa e cultural da catedral.
A Catedral Como Símbolo Urbano e Religioso
Com sua arquitetura imponente e a torre visível de diversos pontos da cidade, a Catedral de Nossa Senhora da Piedade se tornou um marco para fiéis e turistas. Seu significado vai além da fé, representando um patrimônio cultural e histórico de Cajazeiras. O templo é um orgulho para os cajazeirenses e cajazeirados – denominações que distinguem os nascidos na cidade e aqueles que adotaram Cajazeiras como lar.
Reformas e Transformações
Nos últimos anos, a catedral passou por reformas que modernizaram seu espaço interno, mas também alteraram elementos originais dos altares e do santuário. As mudanças geraram debates entre fiéis e historiadores, preocupados com a preservação do legado arquitetônico e artístico do templo.
Apesar das modificações, a grandiosidade da catedral segue inabalável, sendo o epicentro das celebrações religiosas mais importantes da cidade.
A Grande Festa da Padroeira
Todos os anos, entre 5 e 15 de setembro, Cajazeiras celebra a grande festa em honra a Nossa Senhora da Piedade. O evento, que reúne milhares de fiéis, culmina em uma grandiosa romaria até a igreja, reafirmando a devoção da comunidade. Durante a festividade, o hino dedicado à padroeira é entoado com fervor pelos devotos, reforçando a identidade religiosa da cidade.
Conclusão: Um Legado que Transcende Gerações
A Catedral de Nossa Senhora da Piedade não é apenas um templo, mas um símbolo da fé e da resistência do povo cajazeirense. Sua história reflete a trajetória de uma comunidade que, ao longo dos séculos, soube transformar desafios em marcos de devoção e cultura.
Seja pela força espiritual que inspira ou pela imponência de sua estrutura, a catedral continua sendo um farol de fé, tradição e história no coração do Sertão paraibano.
ADRIANO CARLOS HENRIQUE PIRES BROCOS: O ENGENHEIRO POR TRÁS DA GRANDIOSIDADE DA CATEDRAL DE CAJAZEIRAS
Um Nome Marcante na Engenharia de Cajazeiras
A imponência da Catedral Nossa Senhora da Piedade, um dos maiores símbolos religiosos e arquitetônicos de Cajazeiras, tem na sua história a contribuição essencial do engenheiro Adriano Carlos Henrique Pires Brocos. Atuando como engenheiro calculista e executor da estrutura, Brocos foi responsável por garantir a solidez e durabilidade do templo que se tornaria um marco do Sertão paraibano.
Seu trabalho na Catedral está registrado nas plantas resgatadas pelo pesquisador Rogério Galvão, documentos que por pouco não foram descartados. Nessas plantas constam os nomes dos arquitetos de Fortaleza responsáveis pelo projeto e de Adriano Brocos, que desempenhou a função vital de cálculo estrutural e execução, incluindo a grandiosa torre da igreja, que até hoje se destaca como a mais alta da cidade. Cada visita ao templo é um testemunho da sua competência e dedicação à engenharia.
O Legado Além da Catedral
O talento e a precisão técnica de Adriano Brocos não se limitaram à Catedral Diocesana. Outra de suas contribuições notáveis foi a construção do prédio onde hoje funciona o Bradesco, localizado na Praça Dom João da Mata. Essa edificação traz uma história singular: a marquise, inovadora para a época por ser construída em concreto, sofreu um colapso precoce devido à retirada antecipada das escoras por operários durante uma viagem do engenheiro ao Rio de Janeiro. Ao retornar, Brocos refez todo o trabalho e, para demonstrar a confiabilidade de sua engenharia, permaneceu um dia inteiro sob a estrutura recém-concluída, provando que sua execução era segura e robusta. Segundo relatos, sua avó chegou a levar-lhe o almoço nesse momento simbólico de afirmação profissional.
A Engenharia que Transcende Gerações
A presença de Adriano Carlos Henrique Pires Brocos no desenvolvimento urbano e arquitetônico de Cajazeiras reforça sua posição como um dos grandes nomes da engenharia local. Seu compromisso com a qualidade, sua coragem para defender seu trabalho e a durabilidade de suas obras fazem dele uma figura de destaque na história da cidade.
Cada missa celebrada na Catedral de Nossa Senhora da Piedade ou cada passo dado na Praça Dom João da Mata é um tributo ao legado de um engenheiro que ajudou a moldar a paisagem cajazeirense. Adriano Brocos não foi apenas um técnico, mas um visionário que deixou um patrimônio concreto e inabalável para as futuras gerações.

