
Popularidade de Lula atinge pior índice desde o início do mandato, segundo pesquisas
Escândalos no INSS, insatisfação econômica e perda de apoio entre eleitores mais pobres explicam o desgaste do governo petista
A aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou nova queda e chegou ao pior índice desde o início de seu terceiro mandato. Levantamento divulgado nesta quarta-feira (4) pela Genial/Quaest mostra que 57% dos brasileiros desaprovam a gestão do petista, enquanto apenas 40% aprovam — o menor patamar desde janeiro de 2023.
O desgaste está diretamente relacionado a fatores como o escândalo de fraudes no INSS, que envolveu descontos indevidos em aposentadorias e levou à saída do PDT da base governista. O caso resultou na instalação de uma CPMI no Congresso e no desgaste da imagem do governo, que já vinha sendo pressionado por dificuldades econômicas e críticas ao desempenho administrativo.
Outro dado que chama atenção é a perda de apoio em segmentos historicamente próximos a Lula. Pela primeira vez desde o início do mandato, católicos e eleitores com menor escolaridade aparecem mais críticos do que favoráveis. Entre os mais pobres, que foram centrais na eleição de 2022, cresce a percepção de que o governo não tem cumprido o que prometeu — em especial no combate à fome, à inflação e à geração de empregos.
Mesmo com sinais positivos na economia, como o crescimento de 1,4% do PIB no primeiro trimestre de 2025 puxado pelo agronegócio, o sentimento popular não acompanha os números. A lentidão do governo em reagir à crise de imagem e a dificuldade de comunicação com a população têm sido apontadas por analistas como fatores agravantes.
A oposição, por sua vez, tem utilizado o cenário para ampliar críticas ao Palácio do Planalto, intensificando campanhas nas redes sociais e nos meios de comunicação. Figuras como o ex-presidente Michel Temer já indicaram que Lula poderá ser forçado a reavaliar sua candidatura à reeleição em 2026, caso o quadro de desaprovação continue em ascensão.
Com base no atual cenário, o governo se vê diante de um desafio político central: reconquistar a confiança do eleitorado, conter o avanço das crises e restabelecer sua capacidade de articulação junto ao Congresso e à sociedade.

