
Ceará transforma mausoléu de ditadura em centro cultural
O governo do Ceará concluiu em junho de 2025 a transformação do antigo Mausoléu de Humberto de Alencar Castello Branco, localizado no Palácio da Abolição, na Galeria da Liberdade. O espaço, antes dedicado ao primeiro presidente da ditadura militar, agora abriga exposições sobre direitos humanos, liberdade e lutas por democracia, com a abertura marcada pela mostra “Negro é um rio que navego em sonhos”.
A secretária de Cultura, Luísa Cela, ressaltou que a estrutura arquitetônica tombada foi preservada, enquanto o conteúdo foi completamente reformulado para dar voz a narrativas de resistência e protagonismo histórico. A decisão incluiu diálogo com a família de Castello Branco, com apoio do Exército, preservando o respeito institucional ao patrimônio e aos familiares.
Críticos políticos — especialmente opositores na Assembleia Legislativa — avaliaram a mudança como oportunismo, defendendo que temas mais urgentes merecessem prioridade. O deputado Sargento Reginauro (União Brasil) classificou a transformação como “cortina de fumaça” e pediu mais debate público. Outros parlamentares do PL concordaram com a preservação do sítio histórico e seu legado.
A Galeria da Liberdade será gerida pelo Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS-CE), com curadoria voltada à promoção da pluralidade cultural e ao diálogo sobre cidadania. O espaço de 300 m² funcionará gratuitamente, com abertura prevista para quatro dias por semana e programação cultural contínua.
Da Redação.

